Pedra negra sobre uma pedra branca
César Vallejo
Tradução de Francisco César Manhães Monteiro

Morrerei em Paris com aguaceiro,
em um dia do qual não mais me esqueço.
Morrerei em Paris – e não me escondo –
uma quinta, talvez, como hoje, outono.

Quinta será, pois hoje, quinta, eu proso
estes versos, os úmeros eu tenho
mal postos e, nunca como hoje, voltei,
com todo o meu caminho, a ver-me só.

César Vallejo morto, o fustigavam
Todos sem que jamais lhes faça nada;
Batiam-lhe duro com lenho e duro

Batiam-lhe com soga; provam isto
As minhas quintas-feiras e ossos úmeros,
A solidão, a chuva e os caminhos...